quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Era uma vez (outra, outra vez) …

Era uma vez uma história de amizades e de uma viagem memorável.

Num lindo monte, ali para os lados do barrocal algarvio, vivia uma gatinha branca e de muitas cores (viviam mais gatos, porque onde está um gato, estão mais gatos, mas esta é a que interessa para a nossa história). Curiosamente, pasme-se o leitor, a melhor amiga desta gata era uma vaca. Sim, uma vaquita montes de querida, toda às manchas pretas e brancas.
Juntas passavam os dias, bem juntinhas (a gatinha achava a vaquita um óptimo encosto e travesseiro), a ronronar e a ruminar.
Estes dias de idílio foram certa vez interrompidos por, nada mais, nada menos, o coaxar irritante de uma sapita, nova no monte, e metida à boa (gabava-se de ser toda verdinha, sem uma única mancha de outra cor). Ah e tal, e também canto muito bem (vangloriava-se a chata!) e toca de sinfonar.
Ora, quem conhece os gatos, sabe que eles precisam de muito descanso, e a nossa gatinha estava a ficar com insónias, palavra que nem existe no dicionário dos felinos!
Disse então à vaquita (que apesar de não se sentir incomodada pelo coaxar, estava solidária com a gatinha, porque é assim que as amizades funcionam, pelo menos as verdadeiras) que tinha um plano genial para espantar de vez a dita sapa e que essa noite iam as duas pregar-lhe um susto tal que a verdinha ia dar logo de frosques, para não mais voltar.
A artimanha, minuciosa e diabolicamente engendrada pela gata enquanto alisava os bigodes era genial (ou assim o pensava a felina). A gata atraía a sapa para fora do lago e a vaquita aparecia de repente e fingia que se sentava em cima da batráquia. Com a cagufa, a sapa dava um pinote tal que ia saltitar dali para fora, para sempre.
Mas não há plano, tão bem planeado, que não dê para o torto… Estava a gatinha a esgueirar-se sorrateiramente, para atrair a sapa e dar assim inicio ao ardil, quando se atravessa à sua frente uma lagartixa enorme, mesmo muito grande (ou assim parecia à nossa gatinha, que era extremamente corajosa, mas não podia ver nada que rastejasse, que lhe dava logo uma quebra de tensão). Naquele segundo em que se confrontaram, a gata percebeu que a pintalgada não ia ceder, mas também ela não podia ceder, porque estava paralisada. Que situação, que impasse, que suspanse… E eis que, do nada, surge, não outra que, a sapita que afugenta a ovípara.
Já podem imaginar o final desta história dentro da história. Passaram a ser as 3 inseparáveis. Imaginem o concerto que para lá não ia no monte… ronron muuu coax

Apesar de felizes no monte, as nossas amigas sentiam falta de uma grande aventura, repleta de muitas pequenas aventuras. Afinal, qualquer dia eram avós e não tinham histórias para contar aos netinhos, e depois, como é que eles adormeciam!?
Decidiram que o mundo era muito grande para elas, mas que Portugal estava de bom tamanho. Afinal, pensaram, todos devem conhecer o seu país, antes de partir para voos mais altos. E Portugal era tão bonito, tinham ouvido dizer…
Juntou-se ao grupo uma labradora negra, linda e divertida, que vivia numa quinta vizinha e vinha muitas vezes de visita.
Agora imaginem uma gata, uma vaca, uma sapa e uma cadela a percorrerem os caminhos de Portugal! Que lindo quadro! A vaca é a mais lenta de todas, mas as outras cansam-se muito mais depressa e precisam de mais descanso.
Mas o quadro ainda não está completo, só fica completo depois de uns dias de viagem, quando se junta ao grupo o elemento que vivia mais distante, uma panda, preta e branca, amoríssima e destemida.

Agora sim, o quadro está completo, juntas são invencíveis, cada uma com o seu poder, as aventuras podem começar…

Claro que agora não há tempo para relatar as peripécias deste grupo, que foram muitas e variadas e até perigosas! Uma coisa é certa, todas ficaram com inúmeras histórias para contar aos netinhos.

7 comentários:

Teresa disse...

Esta fábula está muuuuuuuuu...ito gira!!! O La Fontaine iria roer-se de inveja com a tua imaginação. E o mais engraçado é k agora fiquei mesmo a pensar nas histórias k podiam surgir a partir desta. Aliás, ultimamente tenho pensado bastante histórias k contávamos com a nossa amiga...a garrafa do Baileys! Eheheheheheh

Ianita disse...

Muito bom, sem dúvida.

E tu que não gostas de morais... :)

;) Bring it on!

Kisses

Ianita disse...

Olha lá... estava aqui a reler o teu conto... Arranja lá uma onomatopeia para o panda! :)

Raquel disse...

Tás-te a sentir Panda??? Cá eu senti-me labradora :)Isto pela ordem de entrada na coisa e tal... :)

Ianita disse...

Qualquer coisa me diz que sim... o meu mosaico e o facto de ser grande e balofa! :)

Carla disse...

Adorei!! Fez-me rir em tempo de trizteza fresca...

P.S: Quem era a lagartixa??? Acho que sei... LOL!!!!

Verónica disse...

Teresa: As nossas histórias eram por demais ;)

Ana: Diz-me tu qual o som que o panda emite ;)

Raquel: Acertaste ;)

Carla: Curiosamente não pensei em ninguém quando criei a lagartixa, mas agora que falas, só pode mesmo ser alguém que nós sabemos... LOL ;)